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Na madrugada do dia 23 de fevereiro, a Morro da Casa Verde entrou na avenida para contar uma história de fé, resistência e amor com o enredo “Saravá Umbanda! Uma história de luz, caridade e amor”. A sexta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso II celebrou a religião afro-brasileira e levantou o público para lutar contra a intolerância que ainda marca a religiosidade no Brasil.
O desfile começa com um grande ritual de defumação, trazendo a simbologia de entidades espirituais limpando os caminhos e preparando a avenida para a festa da fé. Enquanto os primeiros versos do samba ecoavam “Deixa a fumaça entrar, deixa pra defumar Benjoim, alecrim, erva forte ancestral”, a público no Anhembi recebe a benção da ancestralidade afro-brasileira que faz parte do Carnaval, enquanto a comunidade de Casa Verde desfila no terreiro em plena gira, com Ogum comandando os caminhos e protegendo o ritual do carnaval.
Entenda o Enredo
A Umbanda é uma religião brasileira fundada em 1908, que mistura elementos das tradições africanas, indígenas e do espiritismo kardecista, além de influências do catolicismo. Quando as práticas espirituais de matriz africana eram mais duramente perseguidas e criminalizadas, forçando os adeptos a adaptarem seus cultos para sobreviver. Foi nesse contexto que nasceu o sincretismo religioso, fusão de crenças que permitiu que a Umbanda se consolidasse no Brasil.
O surgimento da religião é atribuído ao médium Zélio Fernandino de Moraes, que, ao incorporar o espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas, anunciou a criação de uma nova doutrina espiritualista que acolheria todos, independentemente de raça, cor ou condição social.
Com um espetáculo de cores, música e fé, a Morro da Casa Verde celebrou a Umbanda ao trazer o sincretismo como um dos pilares do desfile, a escola reforçou que a religiosidade brasileira é diversa e plural, e que o respeito às crenças de todos é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. A escola fechou seu desfile com um poderoso “Saravá!”, celebrando a fé e a resistência que ecoaram na avenida.