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Cada um no seu quadrado!

24 JUL 2017
24 de Julho de 2017

É uma “pena” que a vereadora Ruth Costa (PSD), não siga um antigo ditado popular que aconselha “cada um no seu quadrado”! Como vereadora ela deveria legislar em prol de causas que vise ampliar a melhora do convívio social e o bem estar das pessoas no grau de comprometimento com a população, dos eleitores que a elegeram e às centenas de milhares de comunidades da cidade, tanto na faixa infanto-juvenil como na de adulto-idosos que estão à sombra da sobrevivência do caos como moradores de rua.

Ou seja, proporcionar projetos de leis para cuidar e resgatar aquelas crianças, jovens adolescentes e adultos que estão à beira da marginalidade, do vício em drogas, do alcoolismo, da prostituição e do convívio asqueroso da sociedade. Ela como “pastora evangélica” que com certeza tem argumentos extraídos da sua doutrina religiosa, pode muito bem apresentar e justificar projetos de leis significativos a essas causas.

Agora vim palpitar em assuntos que não entende como a Cultura, as manifestações e os ensinamentos cultural que as escolas de samba trazem. Aí já é demais né vereadora! “Fique no seu quadrado que é melhor”. Não sei qual é a sua formação acadêmica, também não me interessa, mas procure não “meter o bedelho” onde a senhora não entende. Não venha fazer “média” ou “demagogia hipócrita” como um outro pastor lá do Rio de Janeiro, está fazendo encima das escolas de samba só para atrair mídia e vestir o “manto da divindade” para seus fiéis.  

Quem é a senhora para afirmar que as crianças e adolescentes que desfilam em escolas de samba estão em exposição e ambiente indevido. Qual é o seu conhecimento sobre as escolas e a contribuição cultural que elas trazem? Nenhuma né vereadora! Na justificativa da sua proposta apresentada, percebe-se que tal projeto de lei não tem base nenhuma, quando afirma que as crianças estão expostas em lugares impróprios. Que lugares impróprios são esses? Qual é o mal que um desfile de escola de samba pode causar no desenvolvimento de uma criança? Ora bolas “nobre” vereadora!

Eu entendo que esse projeto de lei sinaliza mais para o conteúdo preconceituoso e racista do que a preocupação com o “bem estar” das crianças e adolescentes. Tomará, que os vereadores que defendem a bandeira do samba e das escolas, como o vereador Milton Leite (DEM), presidente da Câmara Municipal de São Paulo, rejeite tal projeto para o bem da cultura e da continuação da manifestação da diversidade religiosa e cultural existente nesse país a séculos.

Vale ressaltar, que o Carnaval das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos é um evento que mais cresceu na cidade desde a década de 90, seja como produto cultural ou espetáculo televisivo e da navegação pela internet. Seja como fonte geradora de empregos diretos e indiretos ou de recursos para o comércio e a indústria. As entidades carnavalescas, contando com o apoio de setores dos poderes públicos estão cada vez mais profissionalizadas na sua missão de levar arte e cultura popular para a população, produzindo espetáculos gigantescos que atraem a atenção de milhares de pessoas de todo mundo.

As escolas e o Carnaval precisam sim é de mais planos incentivadores a cultura. Pois para apresentar o próximo espetáculo em fevereiro ou março, as entidades começam a trabalhar desde a quarta-feira de cinzas do Carnaval passado, na construção dos novos carros alegóricos e confecções de fantasias. Para isso, existe a necessidade de contratação de mão de obra especializada – figurinistas, aderecistas, marceneiros, serralheiros, soldadores, escultores e outros profissionais. O material especifico para a montagem de um desfila movimenta costureiros, milhares de reais em diversos setores, principalmente nas indústrias têxteis, metalúrgicas, madeireiras, de plásticos, de calçados e instrumentos musicais.

É por isso que eu digo: “É melhor cada um no seu quadrado para não atravessar o samba e deixa a cuíca roncar!”   

Valdir Sena – Jornalista, Radialista, Cronista Carnavalesco e Sambista.   

Foto divulgação/ Tiago Bertulino 

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